07/08/2020

 

Apesar de ovinos serem conhecidos pela produção de lã, animais recém-nascidos podem perder temperatura rapidamente em dias de frio

A conhecida aptidão de ovinos para a produção de lã faz com que seja difícil de imaginar a necessidade de cuidados especiais para evitar que fêmeas recém paridas e suas crias passem frio. Mas o risco existe, com quadro de hipotermia (perda brusca da temperatura corporal) que pode levar à morte. 

É por isso que a Universidade de Passo Fundo (UPF), no norte do Estado, implementou um programa de monitoramento 24 horas realizado no ambiente da fazenda-escola, que fica no campus. Na área, dentro de um galpão, existe uma maternidade, para receber ovelhas em trabalho de parto, e também um berçário, para os cordeiros. Alunos da Medicina Veterinária, da graduação e da pós participam do projeto. São feitas escalas para que todos os turnos sejam atendidos pelos seis bolsistas.

Responsável pela supervisão dos estudantes, o professor e pesquisador Carlos Bondan, explica que os recém-nascidos possuem “lã muito rala, não tendo capacidade termogênica de manter o calor corporal”: – Fisiologicamente, as reservas de glicogênio para gerar calor, são rapidamente exauridas.

O leite será uma importante fonte de energia. Muitas vezes, no entanto, o cordeiro têm dificuldades para mamar. Situação que motivou o acompanhamento, com a interação quando necessária.

– O primeiro passo é observar se vai mamar o colostro. Se não, ajudamos a colocar na fêmea. Se ainda assim não for possível, é feita a ordenha –  acrescenta Bondan. 

Como se sabe o momento da prenhez, é possível ter ideia da data provável do parto. Se for durante o dia, provavelmente ocorrerá no pasto – a menos que haja algum problema e seja necessária alguma intervenção.

À noite, são mantidos em um galpão, onde lâmpadas ajudam no aquecimento. E onde há berçário para cordeiros mais fracos e área de maternidade. O monitoramento segue até setembro – e, em tempos de pandemia, é feito com uso de máscara, entre outras medidas.

– A gente vivencia na prática todo o manejo com os ovinos – conta Felipe Balbinot, aluno que faz parte do grupo.

O rebanho ovino da fazenda-escola tem 130 animais das raças ile de france e suffolk.

 

Fonte: Gaúcha ZH / Gisele Loeblein

Leonardo Andreoli / UPF Divulgação